Os refugiados, os deslocados, as pessoas em busca de asilo,
os migrantes, os sans papiers constituem o refugo da globalização (p. 76).
Estes
são também coletores de lixo. A sociedade do consumo não aprendeu que o
sofrimento e o desgosto da coleta do lixo, seus membros não querem e não sabem
sentir dor, não estão a fim de carregar o fardo da vida para além do prazer do
consumo, não aguentam o tédio ou a responsabilidade da vida dura com consumo
regrado. O resultado disso é que os refugos acabam virando espaço de formadores
de catadores de lixo. Estes coletores de lixo são todos os cargos
desprazerosos, longe do sonho da vida do consumo. São empregos que garantem a
sobrevivência biológica dos excluídos da ordem, esmagados pelo progresso
econômico ou expulsos do mundo globalizado. As vidas desperdiçadas são vítimas
de uma sociedade que se divide pelos incluídos e pelos excluídos.
Vídeo: "O Condicionado"
Vídeo: "O Condicionado"
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